HHVM (HipHop Virtual Machine) é a máquina virtual de código aberto que o Facebook, hoje Meta, criou para rodar PHP mais rápido com compilação JIT. Desde a versão 4.0, lançada em fevereiro de 2019, o HHVM não executa mais PHP: ele roda só a linguagem Hack. Se o seu site é em PHP, a resposta em 2026 é o próprio PHP 8.x com OPcache ligado.
Este post foi publicado em 2022, quando ainda trazia o passo a passo de instalação do HHVM para rodar WordPress. Esse conteúdo deixou de valer. Abaixo você encontra o que o HHVM foi, por que ele perdeu o sentido para quem usa PHP e o que fazer hoje para ter um site PHP rápido e seguro.
Status em outubro de 2026: o HHVM continua sendo desenvolvido pela Meta no GitHub, mas só para a linguagem Hack. Não roda WordPress, Laravel nem qualquer código PHP comum, e a Meta parou de publicar versões oficiais em outubro de 2023.
O que é HHVM (HipHop Virtual Machine)
O HHVM é um ambiente de execução: um programa que lê o código-fonte e o executa no servidor, no lugar do interpretador oficial. Ele nasceu dentro do Facebook, que tinha um problema muito particular: uma das maiores bases de código PHP do mundo e uma conta de servidores proporcional a ela.
Antes do HHVM, a empresa usava o HPHPc (HipHop for PHP), que convertia PHP em C++ e compilava tudo num binário gigante. Funcionava, mas cada deploy exigia uma compilação demorada e parte da linguagem não era suportada. O HHVM veio para resolver isso com uma máquina virtual que compila o código enquanto ele roda.

- 2010: o Facebook decide construir uma máquina virtual com JIT para PHP.
- Dezembro de 2011: primeira versão pública do HHVM, em código aberto.
- 2013: o facebook.com passa a rodar em HHVM em produção.
- 2014: o Facebook apresenta o Hack, uma linguagem derivada do PHP com tipagem estática opcional, que roda no HHVM.
Por alguns anos, o HHVM rodou as duas coisas: PHP e Hack. Foi nessa fase que ele ganhou fama fora do Facebook, inclusive entre quem hospedava WordPress e MediaWiki.
A promessa: JIT para PHP
No PHP 5, cada requisição passava por um interpretador que lia instruções intermediárias (bytecode) uma a uma. Isso é flexível, mas gasta CPU. A ideia do HHVM era outra: observar quais trechos do código rodam muito e transformá-los em código de máquina nativo durante a execução. É isso que se chama compilação JIT (just-in-time).
| Etapa | PHP 5 (interpretador clássico) | HHVM (com JIT) |
|---|---|---|
| Leitura do código | Transforma o PHP em bytecode | Transforma o PHP ou Hack em bytecode próprio |
| Execução | Interpreta o bytecode instrução por instrução | Compila os trechos mais usados para código de máquina |
| Efeito prático | Mais CPU por requisição | Menos CPU em código executado com frequência |
Em 2014 e 2015, isso fazia diferença real. Sites grandes trocaram o PHP pelo HHVM para atender mais acessos com os mesmos servidores. A Wikimedia, que mantém a Wikipédia, rodou o MediaWiki em HHVM a partir de 2014. O Slack também contou no seu blog de engenharia que passou o backend para o HHVM e, depois, para Hack.
O preço vinha junto: extensões do PHP precisavam ser reescritas, alguns plugins e temas de WordPress quebravam e o HHVM pedia mais memória. Para muita gente, o ganho compensava.
O que aconteceu: PHP 7 e PHP 8 alcançaram o HHVM
A pressão do HHVM fez a equipe do PHP correr. O PHP 7.0, lançado em dezembro de 2015, reescreveu boa parte do motor da linguagem e, segundo o próprio projeto, ficou até duas vezes mais rápido que o PHP 5.6. Com o OPcache, que guarda o código já compilado na memória e evita recompilar o mesmo arquivo a cada visita, a vantagem do HHVM para sites comuns praticamente sumiu.
Do outro lado, o Facebook já tinha migrado quase todo o seu código interno para Hack e não via motivo para continuar acompanhando cada mudança do PHP. A sequência ficou assim:
- Setembro de 2018: a equipe do HHVM anuncia que a série 3.30 seria a última com suporte a PHP e recomenda migrar de vez para Hack ou para o PHP 7 oficial (anúncio no blog do HHVM).
- Fim de 2018: sai o HHVM 3.30, a última versão pensada para rodar PHP.
- Fevereiro de 2019: chega o HHVM 4.0, a primeira versão sem suporte a PHP.
- 2019: a Wikimedia leva o MediaWiki de volta do HHVM para o PHP 7.
- Novembro de 2020: o PHP 8.0 traz o próprio compilador JIT, a funcionalidade que tinha sido o grande diferencial do HHVM.
Um detalhe curioso: nem o JIT do PHP 8 muda muito a vida de um site típico. O anúncio oficial do PHP 8.0 mostra ganhos grandes em testes sintéticos e em aplicações de longa duração, mas desempenho equivalente ao do PHP 7.4 em aplicações web comuns. Para WordPress e lojas virtuais, quem faz a diferença é o OPcache, junto com cache de página e um servidor bem dimensionado.
HHVM hoje: quem usa e se o projeto segue ativo
O HHVM não morreu. O repositório no GitHub segue recebendo commits da Meta (os mais recentes que conferimos são de outubro de 2026) e o site oficial o descreve como uma máquina virtual para programas escritos em Hack. O que mudou é o público: ele virou uma ferramenta interna da Meta, aberta ao público, mas sem foco em usuários externos.
Em outubro de 2023, a equipe publicou uma atualização que deixa isso claro (post oficial):
- a Meta deixou de publicar versões oficiais do HHVM e do Hack (a última numerada, a 4.172, é de novembro de 2022);
- o suporte à compilação com GCC foi retirado, porque internamente tudo é compilado com Clang;
- a compilação fora da Meta passou a depender da ajuda da comunidade;
- a própria equipe reconhece que tem um número muito pequeno de usuários de código aberto.
Quem usa o HHVM
O grande usuário é a própria Meta, que roda o backend do Facebook em Hack sobre HHVM. O Slack é o outro nome conhecido: a empresa contou publicamente que adotou o HHVM em 2016 e passou a migrar seu código PHP para Hack. Fora isso, o uso é raro e quase sempre em empresas com equipe própria para manter a ferramenta.
E como instalar o HHVM?
A versão antiga deste post mostrava comandos para instalar o HHVM 3.15 no Ubuntu 16.04 a partir de um repositório de pacotes. Removemos esse passo a passo: o Ubuntu 16.04 está fora de suporte, aquela versão do HHVM tem falhas de segurança conhecidas e, mesmo instalando a versão atual, ela não rodaria o seu WordPress.
Atenção: se você achou um servidor antigo ainda rodando HHVM 3.x para servir PHP, trate isso como urgência. Essas versões não recebem correções desde 2019. Planeje a migração para uma versão suportada do PHP.
Só faz sentido instalar o HHVM hoje se você vai programar em Hack. Nesse caso, o caminho é compilar a partir do código-fonte, seguindo as instruções do repositório oficial.
HHVM × PHP 8: comparativo
A comparação “HHVM ou PHP” que circulava em 2015 não existe mais do jeito que era, porque os dois deixaram de rodar o mesmo código. A tabela mostra onde cada um está em outubro de 2026.
| Critério | HHVM | PHP 8.x |
|---|---|---|
| Linguagem que executa | Só Hack | PHP |
| Roda WordPress, Laravel, Magento, MediaWiki | Não | Sim |
| Quem mantém | Meta, com foco no uso interno | Comunidade PHP, com apoio da The PHP Foundation |
| Versões oficiais | Não publica desde 2023 | Uma versão nova por ano, com datas de suporte publicadas |
| Compilação JIT | Sim, desde o início | Sim, desde o PHP 8.0 (opcional) |
| Cache de código compilado | Próprio | OPcache (embutido em todo PHP a partir do 8.5) |
| Extensões | Próprias, sem compatibilidade com as do PHP | Ecossistema completo de extensões e do Composer |
| Disponível em hospedagem com cPanel | Não | Sim, com escolha de versão |
Resumindo a tabela em uma frase: para quem escreve PHP, o HHVM saiu da lista de opções. A decisão que sobra é qual versão do PHP usar e como configurá-la.
Se você tem um site em PHP hoje, o que usar

A receita para um site PHP rápido em 2026 é bem menos exótica do que trocar de motor. Ela passa por usar uma versão suportada, deixar o OPcache trabalhar e testar antes de atualizar.
Versões do PHP com suporte em outubro de 2026
| Versão | Lançamento | Correções de segurança até | Recomendação |
|---|---|---|---|
| PHP 8.5 | Novembro de 2025 | 31/12/2029 | Boa escolha se o seu tema e plugins já são compatíveis |
| PHP 8.4 | Novembro de 2024 | 31/12/2028 | Escolha mais segura para a maioria dos sites |
| PHP 8.3 | Novembro de 2023 | 31/12/2027 | Ainda suportada, já só com correções de segurança |
| PHP 8.2 | Dezembro de 2022 | 31/12/2026 | Planeje a troca agora: o suporte acaba em dois meses |
PHP 8.1 e anteriores não recebem mais nenhuma correção. As datas oficiais ficam na página de versões suportadas do PHP. Ficar numa versão sem suporte é o que deixa o site exposto a falhas como as do nosso alerta sobre vulnerabilidades críticas no PHP.
Passo a passo para deixar o PHP em dia
- Descubra a versão atual. No cPanel, ela aparece na ferramenta de seleção de versão do PHP. No WordPress, vá em Ferramentas > Saúde do site > Informação > Servidor.
- Confira a compatibilidade. Atualize tema, plugins e o próprio WordPress antes de trocar o PHP. Plugins abandonados há anos são os que mais quebram.
- Teste numa cópia. Monte um ambiente de testes, mude a versão lá e navegue pelas páginas principais, pelo carrinho e pelos formulários.
- Troque em produção com backup. Faça a mudança fora do horário de pico e deixe um backup recente à mão para voltar se algo falhar.
- Confirme que o OPcache está ativo. Na maioria das hospedagens ele já vem ligado. A partir do PHP 8.5, ele faz parte de todo binário do PHP.
OPcache e JIT: o que ligar
Se você administra o próprio servidor (um VPS, por exemplo), estas são diretivas comuns no php.ini. Ajuste os valores à memória disponível e ao tamanho do site:
opcache.enable=1
opcache.memory_consumption=256
opcache.max_accelerated_files=20000
opcache.validate_timestamps=1
; JIT opcional: ajuda mais em código que usa muita CPU
opcache.jit=tracing
opcache.jit_buffer_size=64M
Para um site WordPress comum, o JIT costuma trazer pouco ganho, como o próprio anúncio do PHP 8.0 admite. Se o site está lento, olhe antes para plugins pesados, imagens e cache de página. O guia de velocidade do site mostra como medir e onde atacar primeiro.
Na SAN: a hospedagem de sites da SAN roda em Instâncias Cloud de Hospedagem com cPanel e CloudLinux, migração gratuita e suporte em português. Se o projeto precisa de acesso root para configurar o PHP do seu jeito, o Cloud Server tem opção de cPanel/WHM.
Perguntas frequentes
Não. A série 3.30, do fim de 2018, foi a última com suporte a PHP. Desde o HHVM 4.0, de fevereiro de 2019, ele executa só a linguagem Hack.
Não exatamente. A Meta continua desenvolvendo o HHVM no GitHub para uso próprio com Hack, mas parou de publicar versões oficiais em outubro de 2023 e reconhece ter poucos usuários de código aberto.
Não nas versões atuais, porque o WordPress é escrito em PHP. Para WordPress, use uma versão suportada do PHP 8.x com OPcache ativo.
Não existe mais comparação direta, porque os dois não rodam o mesmo código. O PHP 7 já tinha praticamente eliminado a vantagem do HHVM para sites comuns, e o PHP 8 trouxe o próprio compilador JIT.
PHP 8.4 ou 8.5, se o seu tema e os plugins forem compatíveis. O PHP 8.2 perde as correções de segurança em 31/12/2026 e o 8.1 já está sem suporte. Veja o passo a passo em Se você tem um site em PHP hoje, o que usar.