Propagação DNS é o intervalo entre o momento em que você altera um registro ou os nameservers de um domínio e o momento em que os servidores DNS da internet deixam de usar a informação antiga que guardaram em cache. Ela não acontece de uma vez: cada resolvedor atualiza quando o cache dele expira, por isso o site pode abrir no endereço novo para uma pessoa e no antigo para outra.
Para entender por que isso acontece, e o que dá para fazer para encurtar a espera, vale começar pelo básico: o que é DNS, quais servidores participam de uma consulta e quais registros existem numa zona DNS.
O que é DNS e como funciona uma consulta
DNS (Domain Name System, ou Sistema de Nomes de Domínio) é o serviço que traduz um nome como seusite.com.br no endereço IP do servidor onde o site está. Computadores se comunicam por IP; o DNS existe para que você não precise decorar números. Se o conceito de domínio ainda estiver nebuloso, comece por ele.
Quando você digita um endereço no navegador e ele não está em nenhum cache, a consulta faz este caminho:
- Seu dispositivo pergunta ao resolvedor DNS configurado na rede, normalmente o do provedor de internet ou um público, como o 8.8.8.8 (Google) ou o 1.1.1.1 (Cloudflare).
- O resolvedor pergunta a um servidor raiz quem responde pela extensão
.br. - O servidor raiz indica os servidores do TLD
.br, mantidos pelo Registro.br. - O servidor do TLD informa quais são os nameservers do domínio
seusite.com.br(os que você configurou na registradora). - O servidor autoritativo do domínio consulta a zona DNS e devolve o IP do site.
- O resolvedor entrega o IP ao seu dispositivo e guarda a resposta em cache pelo tempo definido no TTL do registro.

Tudo isso leva milissegundos. E é justamente o último passo, o cache, que explica a propagação: na próxima vez que alguém pedir o mesmo nome, o resolvedor responde com o que guardou, sem perguntar de novo ao servidor autoritativo.
Tipos de servidores DNS
Quando alguém fala em “tipos de DNS”, pode estar falando de servidores ou de registros. Os servidores são quatro, cada um com um papel na consulta:
- Resolvedor recursivo: faz o trabalho de buscar a resposta em nome do usuário e mantém o cache. É o DNS que aparece nas configurações de rede do seu computador ou roteador.
- Servidor raiz: o topo da hierarquia. Não guarda endereços de sites, só sabe quem responde por cada extensão. Há cópias dele espalhadas pelo mundo, o que deixa essa etapa rápida.
- Servidor de TLD: responde por uma extensão (
.com,.net,.br) e sabe quais nameservers atendem cada domínio dela. - Servidor autoritativo: guarda a zona DNS do domínio e dá a resposta final. São os nameservers que você informa na registradora, como os da sua hospedagem ou os da Cloudflare.
Resolvedor público: trocar o DNS do seu computador para 8.8.8.8 ou 1.1.1.1 muda só quem faz a busca para você. Isso não altera onde o seu site está nem acelera a propagação para os seus visitantes.
Tipos de registro DNS
A zona DNS é uma tabela de registros. Cada um diz algo diferente sobre o domínio, e é aqui que você mexe quando aponta o site para uma nova hospedagem ou configura um e-mail.
| Registro | Para que serve | Exemplo |
|---|---|---|
| A | Aponta um nome para um endereço IPv4 | seusite.com.br → 203.0.113.10 |
| AAAA | Aponta um nome para um endereço IPv6 | seusite.com.br → 2001:db8::10 |
| CNAME | Faz um nome ser apelido de outro | www → seusite.com.br |
| MX | Indica os servidores que recebem e-mail do domínio, com prioridade | 10 mx.provedor.com.br |
| TXT | Guarda texto livre: SPF, DKIM, DMARC e verificações de serviços | v=spf1 include:provedor.com.br ~all |
| NS | Informa quais nameservers respondem pelo domínio | ns1.provedor.com.br |
| SOA | Dados de controle da zona: servidor principal, contato, número de série e tempos de cache | Criado automaticamente pelo provedor de DNS |
| CAA | Define quais autoridades certificadoras podem emitir SSL para o domínio | 0 issue "letsencrypt.org" |
| SRV | Indica servidor e porta de um serviço específico | _sip._tcp 10 5 5060 sip.provedor.com.br |
Na prática, a maioria das zonas de sites pequenos tem um A para o domínio principal, um CNAME para o www, os MX do e-mail e alguns TXT. A imagem abaixo mostra esse par mais comum:

Um detalhe que costuma confundir: o domínio raiz (sem www) não pode ter CNAME pela regra do DNS. Por isso alguns provedores, como a Cloudflare, oferecem o “CNAME flattening”, que resolve o apelido e entrega um IP no lugar.
O que é propagação DNS e por que demora
O nome engana. Nada “se espalha” pela internet depois que você salva a alteração: o servidor autoritativo passa a responder com o dado novo na hora. O que demora é cada resolvedor do mundo descartar a cópia antiga que tem em cache. Três coisas definem esse tempo.
TTL do registro
O TTL (Time to Live) é o número de segundos que um resolvedor pode guardar a resposta. Um registro A com TTL de 14400 fica até 4 horas em cache. Se você muda o IP no meio desse período, quem consultou antes continua indo para o servidor antigo até o prazo acabar.
Cache dos resolvedores e dos dispositivos
O cache existe em várias camadas: no resolvedor do provedor de internet, no sistema operacional e no próprio navegador. Alguns resolvedores aplicam regras próprias de tempo mínimo de cache, então o TTL que você definiu é uma referência, não uma garantia.
Troca de nameservers
Mudar os nameservers costuma demorar mais do que editar um registro, porque envolve a delegação no servidor do TLD e o TTL dos registros NS, que você nem sempre controla. Durante a transição, parte dos visitantes consulta a zona antiga e parte a nova.
Não existe prazo fixo. Prazos como “até 24 horas” ou “até 72 horas” são estimativas de mercado, não uma regra do DNS. O tempo real depende dos TTLs envolvidos e de como cada resolvedor trata o cache.
Um efeito que pega muita gente: se você consultar um subdomínio antes de criá-lo, o resolvedor pode guardar a resposta “esse nome não existe” por um tempo definido no registro SOA. Crie o registro primeiro e teste depois.
Como verificar a propagação DNS
Ferramentas online para ver a propagação no mundo
Sites como o whatsmydns.net e o DNSChecker consultam o mesmo nome em resolvedores de vários países ao mesmo tempo e mostram o que cada um responde. O uso é igual nos dois:
- Digite o nome exato que você alterou (
seusite.com.brouwww.seusite.com.br, que são registros diferentes). - Escolha o tipo de registro: A para o IP do site, MX para e-mail, NS para nameservers, TXT para SPF e verificações.
- Compare as respostas com o valor novo. Locais que ainda mostram o valor antigo estão com cache válido; locais sem resposta podem ter falhado na consulta.
- Repita depois de algum tempo. Quando todos mostrarem o valor novo, a maior parte dos visitantes já está vendo a mudança.
Essas ferramentas mostram uma amostra de resolvedores, não todos os da internet. Um mapa todo verde é um ótimo sinal, mas o provedor de um visitante específico ainda pode estar com cache.
Pelo terminal, com nslookup e dig
O nslookup existe no Windows, no macOS e no Linux. O dig vem no macOS e, no Linux, faz parte do pacote dnsutils ou bind-utils. Os comandos abaixo cobrem as verificações mais úteis:
# O que o seu resolvedor responde agora
nslookup seusite.com.br
# Perguntar a um resolvedor específico (Google)
nslookup seusite.com.br 8.8.8.8
# Ver os nameservers do domínio
nslookup -type=NS seusite.com.br
# Ver os servidores de e-mail
nslookup -type=MX seusite.com.br
Com o dig, dá para ir direto ao servidor autoritativo, que mostra o valor que já está publicado, sem cache no meio:
# Resposta direto do nameserver do domínio
dig @ns1.provedor.com.br seusite.com.br A +short
# Resposta do resolvedor, com o TTL restante do cache
dig seusite.com.br A +noall +answer
seusite.com.br. 2875 IN A 203.0.113.10
# Caminho completo: raiz, TLD e autoritativo
dig +trace seusite.com.br
No segundo exemplo, o número 2875 é quanto falta, em segundos, para aquele resolvedor descartar a resposta. Se o autoritativo já mostra o IP novo e o resolvedor ainda mostra o antigo, é só cache: o problema está resolvido, falta esperar esse contador.
Como acelerar a propagação
Não há botão que force todos os resolvedores do mundo a atualizar. O que funciona é planejar a mudança para que o cache antigo dure pouco. Numa migração de hospedagem, a sequência fica assim:
| Quando | O que fazer |
|---|---|
| Um ou dois dias antes | Baixe o TTL dos registros que vão mudar para 300 segundos (5 minutos). O novo TTL só vale depois que o TTL antigo expirar, por isso a antecedência precisa ser maior que o valor anterior. |
| No dia da mudança | Com o site já funcionando no destino, altere o registro A (ou os nameservers). Mantenha o servidor antigo no ar. |
| Logo depois | Confira a resposta no autoritativo com dig e acompanhe as ferramentas online. |
| Quando tudo estiver estável | Volte o TTL para um valor maior, como 3600 ou 14400 segundos, para reduzir consultas. |
Os dois resolvedores públicos mais usados permitem pedir a limpeza do cache de um domínio específico: o Flush Cache do Google Public DNS e o Purge Cache do 1.1.1.1, da Cloudflare. Isso ajuda quem usa esses resolvedores; os demais provedores seguem o próprio cache.
Dica: mantenha o servidor antigo funcionando por alguns dias após a troca. Assim, quem ainda chega ao IP antigo vê o site em vez de um erro, e e-mails entregues ao servidor antigo não se perdem.
Como limpar o cache DNS no computador e no navegador
Se o site novo já aparece nas ferramentas online e no celular, mas o seu computador insiste no antigo, o cache está na sua máquina. Limpe por camada.
Windows
Abra o Prompt de Comando e rode:
ipconfig /flushdns
No PowerShell, o equivalente é Clear-DnsClientCache.
macOS
No Terminal, rode o comando abaixo e digite a senha de administrador quando for pedida:
sudo dscacheutil -flushcache; sudo killall -HUP mDNSResponder
Linux com systemd-resolved
resolvectl flush-caches
Google Chrome
O Chrome tem cache próprio. Digite chrome://net-internals/#dns na barra de endereços e clique em Clear host cache. Em seguida, abra chrome://net-internals/#sockets e clique em Flush socket pools para fechar conexões abertas com o servidor antigo. Feche e reabra a aba do site.
Se nada disso resolver, reinicie o roteador: muitos guardam cache DNS também. Para isolar o problema, teste no celular usando a rede móvel, sem Wi-Fi.
Trocar nameservers ou só editar a zona?
Muita propagação desnecessária acontece porque alguém trocou os nameservers quando bastava mudar um registro. Antes de mexer, identifique o seu caso:
- Só o site muda de servidor e a zona continua no mesmo provedor de DNS: altere o registro A (e o AAAA, se houver). O e-mail não é afetado.
- Você vai usar a zona DNS do novo provedor, como numa migração completa de hospedagem ou ao ativar a Cloudflare: troque os nameservers na registradora, mas antes recrie na zona nova todos os registros da antiga, principalmente MX e TXT do e-mail.
- Só o e-mail muda de provedor: altere os registros MX e os TXT de SPF, DKIM e DMARC. O site continua onde está.
- O domínio muda de registradora: numa transferência de domínio, os nameservers podem continuar os mesmos. Se não mudarem, não há propagação.
Trocar nameservers sem copiar a zona inteira é uma das causas mais comuns de site fora do ar e e-mail parado logo depois de uma migração. Salve uma cópia da zona antiga (exportação ou captura de tela) antes de qualquer alteração.

Na SAN: você escolhe entre uma grande variedade de extensões e tem suporte especializado para configurar nameservers e zona DNS sem derrubar o site. Veja o registro de domínio da SAN.
Perguntas frequentes
Não existe prazo fixo. O tempo depende do TTL do registro antigo e de como cada resolvedor trata o cache: com TTL de 5 minutos, a maioria dos visitantes vê a mudança rapidamente; com TTLs longos ou troca de nameservers, pode levar bem mais.
Consulte o domínio em ferramentas como whatsmydns.net e DNSChecker, que mostram a resposta de resolvedores em vários países. No terminal, compare a resposta do nameserver do domínio (dig @ns1.provedor seusite.com.br) com a do seu resolvedor.
Não para a internet inteira. Você pode baixar o TTL antes da mudança, pedir a limpeza do cache no Google Public DNS e no 1.1.1.1 e limpar o cache do seu computador e do navegador.
DNS é o sistema inteiro que traduz nomes em IPs. Nameserver é o servidor autoritativo que guarda a zona DNS do seu domínio e responde por ela.
Cada aparelho e cada rede usam um resolvedor e um cache diferentes. Limpe o cache DNS do computador e do navegador, ou espere o TTL expirar, e os dois passam a mostrar o mesmo site.