O Google usa a versão para celular do seu site para rastrear, indexar e classificar as páginas, inclusive nas buscas feitas no computador. Isso se chama indexação mobile-first e, desde julho de 2024, vale para praticamente todos os sites: o que só aparece na versão de computador tende a ficar fora do índice.
Quando este post foi publicado, em 2018, o Google estava começando a migração. Hoje ela está concluída, e a pergunta mudou de “quando meu site vai passar” para “a versão mobile que o Google vê está completa?”. Abaixo você encontra o que muda na prática, como conferir e um checklist para revisar o site.
Do anúncio à conclusão: a linha do tempo
Antes, o Google rastreava e avaliava a versão de computador das páginas. Para quem buscava pelo celular, isso gerava resultados que não batiam com o que se via na tela pequena. A troca levou quase oito anos:
| Quando | O que aconteceu |
|---|---|
| Novembro de 2016 | O Google anuncia os primeiros testes de indexação pela versão mobile. |
| Março de 2018 | Começa a migração gradual dos sites que já estavam prontos. É a época em que este post foi escrito. |
| Julho de 2019 | Domínios novos passam a ser indexados pela versão mobile desde o início. |
| 2020 e 2021 | O Google anuncia a migração de toda a web e adia o prazo final por causa da pandemia. |
| Outubro de 2023 | O Google declara a migração concluída para a grande maioria dos sites. |
| 5 de julho de 2024 | Os últimos sites ainda rastreados pelo robô de computador passam para o robô de smartphone. Sites inacessíveis no celular deixam de ser indexados. |
O Googlebot de computador não sumiu: ele ainda aparece nos registros do servidor e em alguns relatórios. Mas a versão que o Google usa para montar o índice é a mobile.
O que a indexação mobile-first muda para o seu site

Não existe um “índice mobile” separado. Existe um índice só, montado a partir do que o Googlebot para smartphones encontra. Na prática:
- o texto, os links, as imagens e os dados estruturados considerados são os da versão mobile;
- a posição nas buscas de computador também é calculada com base nessa versão;
- se a versão mobile esconde, corta ou bloqueia algo, o Google simplesmente não vê;
- a experiência no celular (velocidade, layout estável, botões fáceis de tocar) pesa mais, porque é ali que boa parte do público está.
Mobile-first, por si só, não dá bônus de posição. Ele define qual versão o Google lê. O ganho vem de a versão mobile estar completa e funcionar bem.
Qual é o formato do seu site?
| Formato | Como funciona | Risco no mobile-first |
|---|---|---|
| Design responsivo | Mesma URL e mesmo HTML; o layout se adapta à tela | Baixo. É o formato recomendado pelo Google |
| Exibição dinâmica | Mesma URL, mas o servidor entrega HTML diferente para celular | Médio. A versão mobile costuma ficar mais pobre |
| URLs separadas (m.seusite.com.br) | Versão mobile em outro endereço | Alto. Exige canonical, redirecionamentos e conteúdo sincronizados |
Se o seu site usa um tema moderno de WordPress ou de loja virtual, ele quase certamente é responsivo. Para entender melhor esse modelo, veja o post sobre design responsivo.
Como checar a versão mobile que o Google vê
O Teste de compatibilidade com dispositivos móveis e o relatório de Usabilidade em dispositivos móveis do Search Console foram desativados em dezembro de 2023. O caminho hoje é a Inspeção de URL do Search Console:
- Abra o Google Search Console e selecione a propriedade do site.
- Cole a URL da página na barra de inspeção, no topo.
- Nos detalhes da indexação, confira se o rastreador aparece como Googlebot para smartphones.
- Clique em Testar URL publicada e depois em Ver página testada. Você vê a captura de tela, o HTML renderizado e os recursos que não carregaram.
- Compare esse HTML com a página no computador: textos, títulos, links internos, imagens e dados estruturados devem estar lá.
Para avaliar a experiência no celular, o próprio Google passou a indicar o Lighthouse, que roda no Chrome e no PageSpeed Insights. O guia do Google Lighthouse mostra como fazer o teste em modo celular e ler o relatório.
Conteúdo e dados estruturados iguais nas duas versões
Este é o ponto que mais derruba sites. Para “limpar” a tela pequena, muita gente remove blocos de texto, avaliações ou tabelas da versão mobile. O Google recomenda manter o mesmo conteúdo principal e usar sanfonas (accordions) ou abas para organizar, sem apagar nada.
| Item | O que conferir no mobile |
|---|---|
| Texto principal e intertítulos | O mesmo conteúdo e os mesmos títulos da versão de computador |
| Title e meta description | Equivalentes nas duas versões |
| Dados estruturados | Presentes também no mobile, apontando para as URLs mobile. Se precisar escolher, priorize Breadcrumb, Product e VideoObject |
| Imagens | Mesmas URLs, boa resolução e o mesmo texto alternativo |
| Meta robots | Nada de noindex ou nofollow só na versão mobile |
| robots.txt | CSS, JavaScript e imagens liberados para o Googlebot |
| Carregamento tardio | Conteúdo principal não pode depender de clique, toque ou rolagem para aparecer no HTML |
Dica: para conferir dados estruturados, rode a página no Teste de pesquisa aprimorada, que usa o rastreador de smartphone por padrão. Se a marcação aparece no computador e some ali, o problema está no tema ou no plugin da versão mobile.
Velocidade no celular
O celular sofre mais com páginas pesadas: processador mais fraco, rede móvel instável e tela que mostra pouco de cada vez. As Core Web Vitals, métricas que o Google usa nos sistemas de classificação, são medidas separadamente para celular e computador. Os limites considerados bons são:
- LCP (carregamento do maior elemento da tela): até 2,5 segundos;
- INP (resposta a toques e cliques): até 200 milissegundos;
- CLS (estabilidade do layout): até 0,1.
Abra a página no PageSpeed Insights e olhe a aba de celular: no alto ficam os dados de visitantes reais, que é o que conta. Os culpados mais comuns são imagens grandes demais para a tela, scripts de terceiros (chat, pixels, mapas), banners que empurram o conteúdo e servidor lento para responder. O guia de velocidade do site detalha cada correção.
Na SAN: o tempo de resposta do servidor pesa em todas as métricas de velocidade. A hospedagem de sites em Instâncias Cloud roda com cPanel e CloudLinux, tem tráfego ilimitado e migração gratuita, com suporte em português.
Erros comuns de SEO mobile
A documentação do Google lista os problemas que mais aparecem quando a versão mobile é avaliada. Alguns dos que mais afetam sites pequenos e lojas virtuais:
- Conteúdo cortado no celular: descrições de produto resumidas, avaliações escondidas, seções inteiras removidas pelo tema.
- Dados estruturados só no desktop: o plugin de SEO adiciona a marcação, mas um tema mobile separado não carrega.
- Imagens com lazy loading que depende de rolagem: o Google não rola a página nem clica, então a imagem nunca aparece no HTML.
- Arquivos bloqueados no robots.txt: pastas de CSS e JavaScript bloqueadas impedem o Google de ver o layout.
- Versão m. redirecionando tudo para a home: em sites com URLs separadas, cada página precisa ter sua equivalente mobile.
- Pop-ups e anúncios que cobrem a tela: atrapalham a leitura e podem prejudicar a avaliação da página.
Checklist de SEO mobile
Use esta lista para revisar o site uma vez por trimestre ou depois de trocar de tema:
- O site é responsivo e a tag viewport está no cabeçalho.
- A Inspeção de URL mostra Googlebot para smartphones e a página testada aparece completa.
- Texto, intertítulos, links internos e imagens são os mesmos no celular e no computador.
- Title, meta description e meta robots são equivalentes nas duas versões.
- Os dados estruturados passam no Teste de pesquisa aprimorada.
- O robots.txt não bloqueia CSS, JavaScript nem imagens.
- LCP, INP e CLS estão no verde na aba de celular do PageSpeed Insights ou no relatório de Core Web Vitals do Search Console.
- Botões e links têm tamanho confortável para o dedo e o texto é legível sem zoom.
- Não há pop-up cobrindo o conteúdo logo na entrada.
Perguntas frequentes
É o Google usar a versão para celular das páginas para rastrear, indexar e classificar o site, inclusive nas buscas feitas no computador. Desde 5 de julho de 2024 isso vale para praticamente todos os sites.
Se a página abre no celular, mesmo sem layout adaptado, o Google consegue indexá-la, mas a experiência ruim pesa contra. Sites inacessíveis em dispositivos móveis deixaram de ser indexados em julho de 2024. O caminho é adotar um tema responsivo.
Na Inspeção de URL do Search Console, confira se o rastreador aparece como Googlebot para smartphones. A opção Testar URL publicada mostra a página como o Google a renderiza.
Não. O Google desativou o teste e o relatório de Usabilidade em dispositivos móveis em dezembro de 2023. Para avaliar a experiência no celular, use o Lighthouse ou o PageSpeed Insights.
Não, desde que o texto esteja no HTML da página. O Google recomenda usar abas e sanfonas para organizar o conteúdo no mobile em vez de removê-lo.