Terceirizar a infraestrutura de TI, o que o mercado chama de cloud sourcing ou outsourcing de infraestrutura, é passar para um fornecedor os servidores, o data center, a rede e, se você quiser, a operação diária desses recursos. A empresa deixa de comprar e manter hardware e passa a contratar capacidade e serviço, com regras escritas em contrato.
Bem feita, a terceirização libera o time para cuidar do que gera receita. Mal feita, troca um problema técnico por um problema de contrato. Este guia mostra os modelos possíveis, o que fica com cada lado, os riscos e como planejar a migração sem tirar o sistema do ar.
O que é terceirizar a infraestrutura de TI (cloud sourcing)
Outsourcing quer dizer, ao pé da letra, buscar fora. Na infraestrutura, significa que o servidor onde rodam o site, o ERP ou o e-mail deixa de ficar numa sala da empresa e passa para o data center de um fornecedor. Cloud sourcing é o mesmo movimento quando o que se contrata são recursos de nuvem.
Dá para terceirizar em camadas. Algumas empresas entregam só o espaço físico; outras entregam tudo, até a madrugada de domingo em que o disco enche. As camadas mais comuns são:
- espaço, energia, refrigeração e link de internet;
- o hardware em si (servidores, discos, equipamentos de rede);
- a administração do sistema operacional, do firewall e do backup;
- o monitoramento e o atendimento a incidentes, 24 horas por dia;
- a gestão de outros sistemas da empresa, como estações de trabalho e licenças.
Quanto mais camadas você passa adiante, menos equipe interna precisa e mais depende do contrato. O modelo certo é o que cobre o que falta na sua empresa hoje.
Modelos de terceirização de infraestrutura
Os quatro modelos abaixo vão do menos ao mais terceirizado. Nada impede combinar mais de um: um banco de dados em servidor dedicado gerenciado e o site num cloud server, por exemplo.
| Modelo | O que você contrata | Quem opera o dia a dia | Quando faz sentido |
|---|---|---|---|
| Colocation | Espaço, energia e rede num data center; o servidor é seu | Sua equipe | Quem já tem hardware e equipe, mas não quer manter uma sala de servidores |
| IaaS | Servidores virtuais ou dedicados alugados, sem comprar hardware | Sua equipe, com acesso root | Times técnicos que querem controle total e custo mensal |
| Infraestrutura gerenciada | IaaS mais a administração do sistema, firewall, backup e monitoramento | O fornecedor | Empresas sem administrador de sistemas, com aplicação que não pode parar |
| MSP | Gestão contínua de vários serviços de TI, não só servidores | O fornecedor, como extensão do TI interno | Quem quer terceirizar a operação de TI como um todo |
Se o termo IaaS ainda é novo para você, o guia sobre infraestrutura como serviço explica o modelo com exemplos. Para o último degrau, veja o que faz um provedor de serviços gerenciados (MSP) e como avaliar um.
O que fica com a empresa e o que fica com o fornecedor
A maior fonte de atrito em terceirização é a tarefa que cada lado acha que é do outro. Use a tabela como ponto de partida e confirme cada linha no contrato do fornecedor que você escolher.
| Tarefa | IaaS sem gerenciamento | Infraestrutura gerenciada |
|---|---|---|
| Data center, energia e rede física | Fornecedor | Fornecedor |
| Troca de peças e falhas de hardware | Fornecedor | Fornecedor |
| Atualização do sistema operacional | Empresa | Fornecedor |
| Firewall e regras de acesso ao servidor | Empresa | Fornecedor, a pedido da empresa |
| Rotina e teste de backup | Empresa | Fornecedor |
| Monitoramento e alertas | Empresa | Fornecedor |
| Aplicação, código e plugins | Empresa | Empresa (salvo contrato específico) |
| Quem acessa os dados e com que finalidade | Empresa | Empresa |
O que nunca sai da empresa: a decisão sobre os dados. Pela LGPD, quem decide como os dados pessoais são tratados é o controlador, e o fornecedor de infraestrutura atua como operador, seguindo as instruções da empresa.
Vantagens e riscos da terceirização de infraestrutura cloud
Os ganhos aparecem rápido quando a empresa tinha servidor próprio envelhecendo num armário:
- a compra de hardware a cada poucos anos vira uma mensalidade previsível;
- queda de energia, ar-condicionado quebrado e disco com defeito deixam de ser problema seu;
- aumentar memória ou disco leva minutos, sem esperar compra e instalação;
- no modelo gerenciado, alguém acompanha o servidor fora do horário comercial.
Os riscos são menos visíveis no começo e aparecem quando algo dá errado.
Dependência do fornecedor
Quanto mais recursos exclusivos de um fornecedor você usa, mais difícil fica sair dele. Prefira tecnologias padrão (Linux, MySQL, cPanel), garanta acesso aos seus backups em formato que possa ser restaurado em outro lugar e coloque no contrato como funciona a devolução dos dados no fim da relação.
SLA que não protege
O SLA é o compromisso de disponibilidade do fornecedor. Um número alto no site não basta: veja o que conta como indisponibilidade, como o tempo é medido e qual é a compensação quando a meta não é cumprida. O post sobre uptime do servidor ajuda a ler esses percentuais.
LGPD e localização dos dados
Terceirizar a infraestrutura não transfere a responsabilidade pela proteção dos dados. A Lei 13.709/2018 exige medidas de segurança dos dois lados (art. 46) e torna o operador responsável junto com o controlador quando ele descumpre a lei ou as instruções recebidas (art. 42). Se os dados ficarem guardados fora do Brasil, a transferência internacional só é permitida nos casos do art. 33; quando ela se apoia no contrato com o fornecedor, o contrato precisa trazer as cláusulas-padrão aprovadas pela ANPD. O resumo da LGPD aqui no blog explica os conceitos básicos.
Como escolher o fornecedor
Antes de comparar preço, faça estas perguntas a cada candidato e peça as respostas por escrito:
- Onde ficam os dados? Em qual país e em qual data center, e se há certificações de segurança auditadas.
- Qual é o SLA e o que acontece se ele falhar? Percentual, forma de medição e compensação.
- O que está no escopo do gerenciamento? Lista fechada de tarefas incluídas e do que é cobrado à parte.
- Como funciona o suporte? Canais, horário, idioma e tempo de primeira resposta.
- Como é o backup? Frequência, retenção, local de armazenamento e quem testa a restauração.
- Como eu saio? Prazo de aviso, formato de entrega dos dados e apagamento depois do fim do contrato.
Para comparar SLAs, converta o percentual em tempo parado. Num mês de 30 dias:
| SLA de disponibilidade | Tempo máximo fora do ar no mês |
|---|---|
| 99% | 7 h 12 min |
| 99,5% | 3 h 36 min |
| 99,9% | 43 min |
| 99,99% | 4 min |
Na SAN: os Servidores Dedicados têm processadores Intel Xeon ou AMD e tráfego ilimitado, para quem quer terceirizar a infraestrutura sem dividir hardware. Se a carga é menor, o Cloud Server entrega um VPS com SSD, acesso root e opção de cPanel/WHM.
Como planejar a migração
A migração é o momento de maior risco da terceirização. Um roteiro simples evita a maior parte das surpresas:
- Inventário: liste servidores, sistemas, bancos de dados, domínios, contas de e-mail e integrações. Anote quem usa cada um.
- Classificação: separe o que não pode parar do que aguenta algumas horas fora. Isso define a ordem e o horário de cada etapa.
- Dimensionamento: meça o uso real de CPU, memória e disco nas últimas semanas. Contratar pelo pico evita lentidão; contratar muito acima dele só aumenta a conta.
- Piloto: comece por um sistema de menor risco e valide desempenho, backup e suporte antes de mover o resto.
- Virada: copie os dados, sincronize de novo perto da troca e só então aponte o DNS para o novo servidor.
- Validação: teste login, formulários, pagamentos e e-mails. Mantenha o ambiente antigo ligado por alguns dias, como plano de volta.
- Desligamento: com tudo estável, apague os dados do ambiente antigo de forma segura e encerre os contratos.
Dica: um ou dois dias antes da virada, reduza o TTL dos registros DNS do domínio (para 300 segundos, por exemplo). Assim a mudança de endereço se espalha em minutos, e não em horas.
Se a sua equipe não tem tempo ou experiência para conduzir esses passos, esse é justamente o tipo de trabalho que um serviço gerenciado assume. O post sobre cloud server gerenciado mostra o que costuma estar incluído.
Perguntas frequentes
É a terceirização da infraestrutura de TI para a nuvem: servidores, armazenamento e rede passam a ser contratados de um fornecedor, que pode também assumir a administração do dia a dia.
No colocation o servidor é seu e você aluga só espaço, energia e rede num data center. No IaaS você aluga o próprio servidor, virtual ou dedicado, sem comprar hardware.
Não. A empresa continua como controladora dos dados e o fornecedor atua como operador. Pela LGPD, os dois precisam adotar medidas de segurança, e o operador responde junto quando descumpre a lei ou as instruções recebidas.
O percentual de disponibilidade convertido em horas paradas por mês, o que conta como indisponibilidade, como o tempo é medido e qual compensação o contrato prevê quando a meta não é cumprida.
Depende do número de sistemas e do volume de dados. Um site ou sistema isolado costuma migrar em poucos dias; ambientes maiores pedem um piloto e etapas planejadas para não interromper o serviço.