O que vender na internet depende menos do ranking dos mais vendidos e mais de três contas: se existe procura, se a margem sobrevive ao frete e às taxas, e se você consegue chegar ao comprador sem brigar só no preço. As categorias que mais faturam hoje no e-commerce brasileiro são moda e acessórios, eletrodomésticos, saúde, eletrônicos e telefonia, mas faturamento alto não quer dizer que sejam boas para quem está começando.

Abaixo estão os números mais recentes, os critérios para filtrar ideias, um passo a passo para testar o produto antes de comprar estoque e uma comparação entre loja própria, marketplace e redes sociais.


O que mais vende na internet no Brasil

O levantamento mais recente com recorte por categoria é o panorama do primeiro semestre de 2026 da Confi (Neotrust e Aftersale) com o E-Commerce Brasil, divulgado em julho de 2026. De janeiro a junho, o e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões, 16,9% a mais que no mesmo período de 2025. Estas foram as cinco categorias com maior faturamento:

PosiçãoCategoriaFaturamento no 1º semestre de 2026
1ºModa e acessóriosR$ 19,3 bilhões
2ºEletrodomésticosR$ 19,2 bilhões
3ºSaúdeR$ 15,5 bilhões
4ºEletrônicosR$ 14,4 bilhões
5ºTelefoniaR$ 14 bilhões

As que mais cresceram no mesmo período foram saúde (+45,8%), casa e construção (+26,9%), moda e acessórios (+23,1%) e esporte e lazer (+20,9%). O estudo também mostra que o número de pedidos subiu 34,8%, enquanto o tíquete médio caiu 13,3%, para R$ 275,50: o brasileiro está comprando mais vezes, com menos itens e menos dinheiro em cada pedido.

Atenção ao “boom” de saúde: boa parte do crescimento veio das canetas emagrecedoras, que são medicamentos. Desde junho de 2025 elas só podem ser vendidas por farmácias, com retenção da receita, segundo a Anvisa. Para um vendedor comum, a categoria que “mais cresce” não é uma porta aberta.

O que esse ranking diz para quem está começando

Eletrodomésticos, eletrônicos e telefonia faturam muito porque cada venda vale muito. Só que é justamente onde estão as grandes varejistas, com compra em volume, frete negociado e parcelamento longo. Quem chega com capital pequeno tende a disputar só no preço e perder.

Moda, casa, esporte e beleza são mais abertas a marcas menores, porque o comprador aceita pagar por estilo, curadoria ou nicho. Uma loja de roupas para corrida em clima quente, ou de organizadores para apartamentos pequenos, compete de outro jeito com quem vende “de tudo”. O caminho costuma ser esse: escolher a categoria grande e entrar por um recorte que os gigantes atendem mal.


Como escolher o que vender: 8 critérios

Antes de se apaixonar por um produto, passe a ideia por esta tabela. Se ela acende muitos sinais de alerta, vale procurar outra.

CritérioPergunta a fazerSinal bomSinal de alerta
MargemQuanto sobra depois de custo, taxas, frete e imposto?Sobra o suficiente para pagar anúncio e ainda lucrarA conta só fecha sem anúncio e sem frete grátis
FreteQuanto pesa, que tamanho tem, quebra fácil?Leve, compacto, resistenteVolumoso, frágil ou pesado em relação ao preço
ConcorrênciaQuem já vende e como?Há procura, mas os anúncios são fracos ou genéricosDezenas de vendedores com o mesmo item e preço no limite
RecorrênciaO cliente volta a comprar?Consumível, refil, reposiçãoCompra única a cada muitos anos
TíqueteO preço comporta frete e parcelamento?Médio, compatível com o públicoBaixo demais para o frete ou alto demais para confiar em loja nova
SazonalidadeVende o ano todo?Demanda estável, com picos previsíveisDepende de uma única data no ano
RegrasPrecisa de registro, licença ou receita?Produto livre de autorização especialCosméticos, alimentos, suplementos ou medicamentos sem regularização
Troca e devoluçãoQual o risco de o cliente devolver?Padrão de tamanho e uso clarosMuita variação de numeração, cor ou expectativa

Devolução não é detalhe: em compra feita fora da loja física, o consumidor tem 7 dias para desistir, pelo artigo 49 do Código de Defesa do Consumidor. Produto que gera muita troca come a margem duas vezes, com o frete de ida e o de volta.

A conta que derruba boas ideias

Muita gente calcula a margem como “preço menos custo do produto”. Faça a conta inteira. O exemplo abaixo usa números ilustrativos (não são as taxas de nenhum canal específico):

Preço de venda ...................... R$ 120,00
(-) custo do produto ................ R$  45,00
(-) embalagem ....................... R$   4,00
(-) frete que você subsidia ......... R$  15,00
(-) taxas de canal e pagamento (18%)  R$  21,60
(-) imposto (6%) .................... R$   7,20
= sobra por pedido .................. R$  27,20  (22,7%)

Parece razoável até lembrar que o anúncio que trouxe esse cliente ainda não entrou na conta. Se cada venda custa R$ 25 em mídia, o lucro vira R$ 2,20. Se o produto pesa o dobro, ou se 1 em cada 10 pedidos volta, a operação passa a pagar para vender.


Produtos físicos, digitais ou serviços

Nem tudo o que se vende na internet precisa ir numa caixa. A escolha do tipo muda o dinheiro que você precisa para começar e o tipo de trabalho do dia a dia.

Produto físicoProduto digitalServiço
ExemplosRoupas, acessórios, itens de casa, peças de reposição, artesanatoCursos, e-books, planilhas, modelos, presets, fontesDesign, consultoria, aulas, manutenção, edição de vídeo
Investimento inicialEstoque, embalagem, fotosTempo para criar o materialTempo e portfólio
Frete e logísticaSim, e pesa na margemNão existeNão existe (ou é local)
EscalaLimitada por estoque e caixaAlta: vender 10 ou 1.000 custa quase o mesmoLimitada pelas suas horas
Principal dificuldadeCapital parado e devoluçõesAtrair tráfego e lidar com piratariaPrecificar o tempo e não depender de um cliente só

Há ainda modelos sem estoque próprio. Em programas de afiliados, você indica produtos de outras lojas e ganha comissão. No dropshipping, o fornecedor envia direto ao cliente; parece simples, mas quem responde perante o consumidor por atraso ou defeito é você, que fez a venda.

Ideia que costuma funcionar: combinar um produto físico com um digital. Quem vende formas de confeitaria pode vender também a apostila de receitas; quem vende tinta para tecido pode vender o curso de pintura. O digital aumenta o tíquete sem aumentar o frete.


Como validar a ideia antes de investir

Validar é descobrir, gastando pouco, se alguém paga pelo que você quer vender. Siga esta ordem:

  1. Veja se existe busca. Pesquise o produto no Google Trends para ver a tendência dos últimos anos e a sazonalidade. Depois olhe as sugestões que aparecem ao digitar no Google e no YouTube: são as palavras que o seu cliente usa. Esse mesmo levantamento vai servir depois para o SEO da sua loja.
  2. Abra as listas de mais vendidos dos grandes marketplaces na categoria escolhida e anote preço, número de avaliações e quantos vendedores oferecem o mesmo item.
  3. Leia as avaliações de 1 a 3 estrelas dos concorrentes. Reclamações repetidas (“veio sem manual”, “tamanho pequeno”, “demorou 20 dias”) mostram onde você pode ser melhor.
  4. Faça a conta completa da margem, como no exemplo acima, com cotação real de frete para três regiões do país.
  5. Compre um lote pequeno ou faça pré-venda. Anuncie para pessoas próximas, num grupo do nicho ou em um marketplace antes de investir em loja própria.
  6. Teste com orçamento pequeno de anúncios e meça: quantas visitas viraram venda e quanto custou cada venda. As métricas de e-commerce que importam nessa fase são taxa de conversão, custo por aquisição e margem por pedido.
  7. Decida com números: se a venda acontece e a conta fecha, aumente o estoque aos poucos. Se não acontece, troque o recorte (outro público, outra faixa de preço) antes de trocar de produto.

Um teste bem feito dura semanas, não meses. O objetivo não é lucrar ainda, e sim aprender barato.


Onde vender: loja própria, marketplace ou redes sociais

Escolher onde vender é quase tão importante quanto escolher o que vender. Cada canal cobra de um jeito diferente: em comissão, em controle ou em trabalho.

CanalPonto fortePonto fracoFaz sentido quando
MarketplaceTráfego pronto e confiança da marca do marketplaceComissão por venda, guerra de preço, pouco contato com o clienteVocê está validando o produto ou vende itens muito buscados pelo nome
Loja própriaMargem maior, marca sua, dados e base de clientes seusVocê precisa trazer o tráfegoO produto já vende e você quer construir marca e recompra
Redes sociais e WhatsAppContato direto, conteúdo mostra o produto em usoDepende do alcance da plataforma e de muita produção de conteúdoO produto é visual, de nicho ou vendido por indicação

Na prática, quase ninguém fica num canal só. Um caminho comum é validar no marketplace e no Instagram e, quando o produto prova que vende, abrir a loja própria para ficar com a margem e com o cadastro dos clientes. Para escolher a ferramenta, compare as melhores plataformas de e-commerce: há opções hospedadas, com mensalidade, e opções instaláveis, como o WooCommerce, que rodam na sua hospedagem.

Loja aberta sem visita não vende. Planeje desde o início de onde virão os compradores, com conteúdo, anúncios e e-mail; estas dicas para gerar tráfego no e-commerce ajudam a montar esse plano.

Na SAN: vai montar a loja própria em WooCommerce ou outra plataforma instalável? Garanta o nome da marca com o registro de domínio e coloque a loja no ar na hospedagem de sites em cloud, com cPanel, migração gratuita e suporte em português.


Como vender no Mercado Livre e na OLX

Para vender no Mercado Livre, você cria a conta, publica o anúncio de graça e paga uma tarifa só quando vende. Na OLX, o anúncio é gratuito dentro de um limite por categoria, a negociação acontece no chat e não há comissão sobre a venda. Os dois servem para validar um produto, mas para públicos e produtos diferentes.

Mercado LivreOLX
Tipo de vendaMarketplace de produtos novos e usados, com pagamento pela plataforma (Mercado Pago)Classificados, forte em usados e em venda na mesma região; pagamento pela Garantia da OLX ou combinado com o comprador
Para anunciarPublicar é grátisGrátis até um limite de anúncios por subcategoria, que renova todo mês (imóveis e veículos têm regra própria); acima disso, planos pagos
TaxasTarifa sobre cada venda, que muda conforme a categoria e o tipo de anúncio (Clássico ou Premium), mais custos ligados a preço, peso e freteSem comissão na venda; com a Garantia da OLX, você só paga se oferecer frete grátis ou parcelamento ao comprador
FreteMercado Envios: etiqueta pronta e postagem em agência ou coleta; no Full, o estoque fica no centro de distribuição do Mercado LivreEntrega com postagem, com etiqueta gerada pela OLX, ou entrega em mãos combinada pelo chat
Para quem serveQuem vende com frequência, produto novo, para o país inteiroQuem vende usados, itens grandes ou quer vender perto de casa sem comissão

Nos dois, o primeiro anúncio leva poucos minutos: conta criada, categoria, fotos, preço e frete. O guia oficial do Mercado Livre para começar a vender e a central de ajuda da OLX explicam cada campo. Antes de publicar no Mercado Livre, confira a tarifa da sua categoria e leve o valor para a conta de margem dos critérios acima.

Cuidado com golpe: mantenha a negociação no chat da OLX, não passe códigos recebidos por SMS e não envie o produto antes de a venda aparecer em “Minhas vendas”. Comprador que insiste em mudar para o WhatsApp ou manda link de pagamento é sinal de alerta.

O ranking do e-commerce do início deste guia vale para as compras online como um todo, e os marketplaces seguem a mesma linha. Para quem começa no Mercado Livre, as categorias que mais cresceram no semestre, como casa e construção, moda e acessórios e esporte e lazer, costumam ser melhor ponto de partida do que eletrônicos e telefonia, onde a disputa de preço com grandes vendedores é maior. Prefira itens leves e compactos, que cabem na conta do frete. Para ver o que está saindo agora, abra a lista de mais vendidos da categoria no próprio Mercado Livre e passe os candidatos pela tabela de critérios.

Na OLX, a vantagem está no usado e no que é caro de despachar, como móveis, eletrodomésticos e bicicletas, vendidos para gente da mesma região e entregues em mãos.


Perguntas frequentes

Qual é o produto que mais vende na internet no Brasil?

Em faturamento, as categorias que lideraram o primeiro semestre de 2026 foram moda e acessórios (R$ 19,3 bilhões) e eletrodomésticos (R$ 19,2 bilhões), seguidas de saúde, eletrônicos e telefonia, segundo o levantamento da Confi com o E-Commerce Brasil. Faturamento alto, porém, não significa margem boa para quem está começando.

Vale mais a pena vender em marketplace ou em loja própria?

O marketplace traz visitantes prontos e é bom para validar o produto, mas cobra comissão e dificulta criar relação com o cliente. A loja própria dá mais margem e controle, mas exige que você gere o tráfego. Muitos vendedores começam no marketplace e abrem a loja própria quando o produto se prova.

Dá para vender na internet sem ter estoque?

Dá, com produtos digitais, serviços, programas de afiliados ou dropshipping. No dropshipping, lembre que quem vendeu responde ao consumidor por atraso ou defeito, mesmo que o envio seja do fornecedor.

Como saber se um produto vai vender antes de comprar estoque?

Confira a procura no Google Trends e nas buscas, analise preço e avaliações dos concorrentes, faça a conta completa da margem e teste com lote pequeno ou pré-venda e pouco orçamento de anúncio. Se as vendas acontecem e a conta fecha, aumente o estoque aos poucos.

Quanto custa anunciar no Mercado Livre?

Publicar o anúncio é grátis. Você paga uma tarifa quando vende, que varia conforme a categoria e o tipo de anúncio (Clássico ou Premium), além de custos ligados ao frete. Confira os valores da sua categoria antes de definir o preço.

Anunciar na OLX é grátis?

Sim, até um limite de anúncios por subcategoria, que renova todo mês; imóveis e veículos têm limites próprios. A OLX não cobra comissão sobre a venda e, na Garantia da OLX, o vendedor só paga se oferecer frete grátis ou parcelamento ao comprador.