Certificado SSL é um arquivo digital, emitido por uma autoridade certificadora, que comprova a identidade de um site e permite criptografar a conexão entre o navegador e o servidor, o famoso HTTPS. O protocolo que faz a criptografia hoje se chama TLS, mas o nome “SSL” ficou no mercado e continua sendo o termo usado para o certificado.
Abaixo você vê como ele funciona, os tipos, como escolher, a nova validade de 200 dias, como ativar o HTTPS e quando o certificado grátis basta.
- O que é certificado SSL e para que serve
- Como funciona: o handshake em 5 passos
- SSL ou TLS: por que o nome antigo continua
- Tipos de certificado por validação: DV, OV e EV
- Tipos por cobertura: único, wildcard e multidomínio
- Como escolher o certificado certo para o seu site
- Validade do SSL em 2026: 200 dias e caindo
- Como ativar o HTTPS sem conteúdo misto
- Certificado SSL grátis ou pago: quando vale pagar
- Como verificar se o certificado está funcionando
- Perguntas frequentes
O que é certificado SSL e para que serve
Quando alguém acessa https://seudominio.com.br, o servidor apresenta o certificado SSL ao navegador. Ele funciona como um documento de identidade do site: diz a qual domínio pertence, quem o emitiu e até quando vale. Com ele, navegador e servidor combinam uma criptografia que só os dois conseguem desfazer.
Na prática, o certificado entrega três coisas:
- Sigilo: senhas, formulários, números de cartão e cookies de sessão trafegam criptografados. Quem interceptar a conexão, num Wi-Fi público por exemplo, vê só dados embaralhados.
- Autenticidade: o navegador confere se o servidor é mesmo o do domínio digitado, o que dificulta desvios para servidores falsos.
- Integridade: ninguém no caminho consegue alterar a página ou trocar um link de download sem que a conexão acuse o erro.
Também há motivos práticos para nenhum site ficar sem HTTPS. O Chrome marca páginas HTTP como “Não seguro”, e o Google usa o HTTPS como sinal de classificação desde 2014. Além disso, quando um site HTTPS envia visitantes para uma página HTTP, o navegador não informa de onde a visita veio, e ela aparece como “direta” nas ferramentas de análise.
Importante: HTTPS garante que a conexão é privada, não que o site é honesto. Páginas de golpe também usam certificado. Foi por isso que o Chrome trocou o cadeado por um ícone neutro a partir da versão 117, em 2023.
Como funciona: o handshake em 5 passos
Antes de carregar a página, navegador e servidor fazem uma negociação rápida chamada handshake (aperto de mãos). Na versão atual do protocolo, o TLS 1.3, ela funciona assim, de forma simplificada:
- O navegador se apresenta: informa o domínio que quer acessar, as versões do TLS e os algoritmos que aceita, e já envia a sua parte da troca de chaves.
- O servidor responde: escolhe o algoritmo, envia a parte dele da troca de chaves, o certificado e uma assinatura feita com a chave privada, que prova que ele é o dono daquele certificado.
- O navegador confere o certificado: se foi emitido por uma autoridade certificadora confiável, se está dentro da validade, se cobre o domínio digitado e se não foi revogado. Se algo falhar, aparece o aviso de conexão não segura.
- Os dois calculam a mesma chave de sessão a partir das partes trocadas, sem que essa chave trafegue pela rede.
- Começa a conversa criptografada: tudo o que vai e volta usa a chave de sessão, que vale só para aquela conexão.
Tudo isso leva uma fração de segundo. Nas versões antigas, o navegador enviava a chave de sessão cifrada com a chave pública do servidor. No TLS 1.3, a troca de chaves efêmera mantém protegidas as conversas gravadas hoje mesmo que a chave privada vaze no futuro.
SSL ou TLS: por que o nome antigo continua
SSL (Secure Sockets Layer) foi o protocolo criado pela Netscape nos anos 1990. Ele foi substituído pelo TLS (Transport Layer Security), e todas as versões do SSL estão proibidas hoje. Ainda assim, o mercado continua chamando o certificado de “SSL”. Certificado SSL, certificado TLS e certificado SSL/TLS são a mesma coisa.
| Versão | Ano | Situação em 2026 |
|---|---|---|
| SSL 2.0 e SSL 3.0 | 1995 e 1996 | Proibidos (o SSL 3.0 foi descontinuado pela RFC 7568) |
| TLS 1.0 e TLS 1.1 | 1999 e 2006 | Descontinuados pela RFC 8996, em 2021 |
| TLS 1.2 | 2008 | Ainda aceito, deve ficar ativo para compatibilidade |
| TLS 1.3 | 2018 | Versão atual e recomendada (RFC 8446) |
Um detalhe que confunde muita gente: quem define a versão do protocolo é a configuração do servidor, não o certificado. O mesmo certificado funciona com TLS 1.2 e 1.3. A história completa está em SSL e TLS: por que o SSL não é mais usado.
Tipos de certificado por validação: DV, OV e EV
A primeira forma de classificar um certificado é pelo que a certificadora confere antes de emiti-lo. A criptografia é a mesma nos três tipos. O que muda é o quanto o certificado prova sobre quem está por trás do site.
| Tipo | O que a certificadora confere | Emissão | Indicado para |
|---|---|---|---|
| DV (validação de domínio) | Só o controle do domínio, por e-mail, registro DNS ou arquivo publicado no site | Minutos, em geral automática | Blogs, sites institucionais, landing pages, a maioria das lojas pequenas |
| OV (validação de organização) | Domínio + existência da empresa: razão social, CNPJ, endereço e telefone | Alguns dias, depende da documentação e da confirmação por telefone | Empresas que querem o nome no certificado, portais com login, sistemas B2B |
| EV (validação estendida) | Tudo do OV, com checagem mais rígida em registros oficiais e documentos da organização | Alguns dias ou mais | Bancos, fintechs, órgãos públicos e empresas com exigência contratual ou de auditoria |
Então, qual é o mais seguro? Do ponto de vista da criptografia, nenhum: um DV protege a conexão tão bem quanto um EV. A diferença está na identidade. No OV e no EV, quem clica nos detalhes do certificado vê o nome da empresa, conferido pela certificadora.
A “barra verde” acabou: o EV não deixa mais a barra de endereços verde nem mostra o nome da empresa ao lado do domínio. O Chrome moveu essa informação para os detalhes da página na versão 77, em 2019, e os outros navegadores fizeram o mesmo. Outra limitação: as regras do EV não permitem certificado wildcard.
Tipos por cobertura: único, wildcard e multidomínio
A segunda classificação diz quantos endereços o certificado protege. Ela é independente da primeira: dá para ter, por exemplo, um wildcard DV ou um multidomínio OV.
| Tipo | O que protege | Exemplo | Atenção |
|---|---|---|---|
| Domínio único | Um nome (a maioria das certificadoras inclui a versão com e sem www) | seudominio.com.br e www.seudominio.com.br | Não cobre blog.seudominio.com.br |
| Wildcard | Todos os subdomínios de um nível de um domínio | *.seudominio.com.br: loja., blog., mail., app. | Não cobre dois níveis (a.b.seudominio.com.br) nem outros domínios |
| Multidomínio | Uma lista de nomes, inclusive de domínios diferentes | suamarca.com.br, suamarca.com, mail.outraempresa.com.br | Cada nome precisa ser validado; incluir um nome novo exige reemitir |
O wildcard compensa quando você tem ou pretende criar vários subdomínios, porque um novo subdomínio já nasce protegido. Os detalhes estão em certificado SSL wildcard: o que é e quando comprar. O multidomínio é o caminho quando os nomes pertencem a domínios diferentes, como várias marcas ou extensões.
O que é “certificado SAN”? SAN, nesse contexto, é Subject Alternative Name, o campo do certificado onde ficam listados os nomes cobertos. Por isso o multidomínio também é chamado de “certificado SAN” (ou UCC, em ambientes Microsoft Exchange).
Como escolher o certificado certo para o seu site
Antes de comprar, responda três perguntas: quantos nomes precisam de HTTPS (domínios, subdomínios, servidores e serviços como webmail), você precisa provar quem é a empresa e a renovação pode ser automática no lugar onde o certificado vai ficar? Com as respostas, o tipo costuma ficar claro:
- Blog, portfólio, site institucional ou landing page: DV de domínio único. Se a hospedagem tem AutoSSL ou Let’s Encrypt, o certificado grátis resolve.
- Loja virtual: HTTPS em todas as páginas, não só no checkout. Um DV já protege login, carrinho e formulários; o OV entra quando você quer os dados da empresa no certificado ou um parceiro exige.
- Empresa com vários subdomínios (loja., app., área do cliente, intranet): wildcard, DV ou OV.
- Várias marcas ou extensões (.com.br e .com) no mesmo servidor: multidomínio.
- Servidor de e-mail ou Microsoft Exchange: multidomínio com os nomes usados pelos clientes de e-mail, por exemplo mail.seudominio.com.br e autodiscover.seudominio.com.br. Se for um nome só, um certificado único basta.
- Banco, fintech, órgão público ou empresa com exigência de auditoria: OV ou EV, conforme a política exigida.
Validade do SSL em 2026: 200 dias e caindo
Desde 15 de março de 2026, nenhum certificado SSL público pode ter validade maior que 200 dias. A regra vem do CA/Browser Forum, que reúne certificadoras e navegadores, e o prazo vai encurtar mais duas vezes:
| Certificado emitido a partir de | Validade máxima | Reaproveitamento da validação do domínio |
|---|---|---|
| Antes de 15/03/2026 | 398 dias | 398 dias |
| 15/03/2026 | 200 dias | 200 dias |
| 15/03/2027 | 100 dias | 100 dias |
| 15/03/2029 | 47 dias | 10 dias |
Na prática, quem instalava o certificado uma vez por ano e esquecia agora troca o certificado a cada seis meses, a cada três meses a partir de 2027 e a cada mês e meio a partir de 2029. Os planos de vários anos vendidos no mercado passaram a funcionar como assinatura: você paga pelo período e reemite o certificado a cada ciclo. A mudança está detalhada em validade do SSL muda em 2026.
Dica: o prazo vale pela data de emissão. Um certificado emitido antes de cada data mantém a validade original até vencer. O melhor caminho é automatizar: o AutoSSL do cPanel e clientes ACME como o Certbot renovam sozinhos. O próprio Let’s Encrypt, que hoje emite por 90 dias, vai reduzir para 45 dias até fevereiro de 2028.
Como ativar o HTTPS sem conteúdo misto
Instalar o certificado é só metade do trabalho. A outra metade é fazer o site inteiro abrir em HTTPS, sem nenhum recurso carregado por HTTP. O passo a passo abaixo considera uma hospedagem com cPanel e um site WordPress, mas a lógica vale para qualquer servidor.
- Obtenha o certificado. No cPanel, veja em “Status de SSL/TLS” (SSL/TLS Status) se o AutoSSL já emitiu um certificado para o domínio. Se for usar um certificado pago, gere a CSR (pedido de assinatura) no servidor, que guarda a chave privada, e envie à certificadora.
- Valide o domínio pelo método escolhido (e-mail, registro DNS ou arquivo no site) e, no OV e no EV, envie os dados da empresa.
- Instale o certificado com a cadeia intermediária (o arquivo “CA bundle” enviado pela certificadora) na área SSL/TLS do painel. Sem a cadeia, o site pode funcionar no seu computador e dar erro em celulares.
- Teste o endereço com https:// antes de forçar qualquer redirecionamento.
- Redirecione HTTP para HTTPS com 301. Em servidores Apache, o código abaixo vai no início do arquivo .htaccess.
- Atualize os endereços do site. No WordPress, troque http por https em Configurações > Geral (Endereço do WordPress e Endereço do site). Depois substitua os links internos antigos no banco de dados com uma ferramenta de busca e substituição, sempre com backup feito antes.
- Elimine o conteúdo misto. Abra o site, pressione F12 e veja a aba Console: avisos de “Mixed Content” mostram cada imagem, script, fonte ou iframe ainda chamado por http://. Troque esses endereços por https://.
- Avise o Google. Confira no Search Console se as páginas em HTTPS estão sendo indexadas, envie o sitemap com os novos endereços e atualize os links de anúncios e redes sociais.
- Com tudo estável, ative o HSTS, que obriga o navegador a usar sempre HTTPS. Veja como em o que é HSTS e como ativar.
RewriteEngine On
RewriteCond %{HTTPS} off
RewriteRule ^ https://%{HTTP_HOST}%{REQUEST_URI} [L,R=301]
Conteúdo misto explica a maioria dos casos de “instalei o SSL e o site continua não seguro”. Segundo a MDN, os navegadores convertem imagens e vídeos para HTTPS, mas bloqueiam scripts, estilos e iframes em HTTP, o que quebra layout e funções.
Atenção: se o site fica atrás de uma CDN ou proxy, o redirecionamento do .htaccess pode entrar em loop. Nesse caso, use a opção de forçar HTTPS da própria CDN.
Certificado SSL grátis ou pago: quando vale pagar
Para muitos sites, o certificado grátis resolve. Let’s Encrypt e AutoSSL emitem certificados DV aceitos por todos os navegadores, com a mesma criptografia de um pago, e renovam sozinhos. Blogs, sites institucionais e boa parte das lojas pequenas hospedadas com cPanel não precisam de mais que isso.
| Critério | Grátis (Let’s Encrypt, AutoSSL) | Pago |
|---|---|---|
| Criptografia | Igual | Igual |
| Validação | Só DV | DV, OV ou EV |
| Wildcard | Sim, com validação por DNS | Sim (exceto EV) |
| Renovação | Automática, quando o servidor tem AutoSSL ou cliente ACME | Manual ou automatizada, conforme a certificadora e o servidor |
| Suporte | Fóruns e a sua hospedagem | Certificadora e revenda |
| Extras | Nenhum | Selo do site e, em geral, garantia financeira da certificadora |
Vale pagar quando:
- você precisa que o certificado mostre a empresa (OV ou EV), por exigência de banco, parceiro, contrato ou política interna;
- o certificado vai para um equipamento ou sistema sem renovação automática, como firewall, appliance, Exchange ou sistema legado;
- você quer um só certificado para muitos domínios em servidores diferentes, fora de uma hospedagem com AutoSSL;
- você prefere ter suporte de quem vendeu na emissão, na validação e em cada reemissão.
A certificadora importa: em 2017, Google e Mozilla encontraram falhas graves na emissão de certificados da Symantec, e o Chrome deixou de confiar na infraestrutura dela em 2018. Sites que não trocaram o certificado a tempo passaram a exibir alerta de segurança. Compre de certificadoras reconhecidas pelos navegadores e fique atento a avisos de reemissão.
Na SAN: se o seu caso pede OV, EV, wildcard ou multidomínio, compare os certificados SSL da SAN, de várias certificadoras, e escolha pelo tipo de validação e pela quantidade de domínios que você precisa proteger.
Como verificar se o certificado está funcionando
Depois de instalar, e de tempos em tempos, confira quatro pontos: se o certificado cobre o nome acessado (com e sem www), se está dentro da validade, se a cadeia intermediária está completa e quem é o emissor. Há três jeitos de fazer isso:
- No navegador: clique no ícone à esquerda do endereço (no Chrome, o ícone de ajustes que substituiu o cadeado), depois em “A conexão é segura” e em “O certificado é válido” para ver nomes, emissor e datas.
- Em uma ferramenta online: o verificador de SSL da SAN mostra validade, cadeia e autoridade certificadora de qualquer domínio, de graça.
- No terminal, com OpenSSL, o comando abaixo mostra titular, emissor, datas e nomes cobertos.
echo | openssl s_client -connect seudominio.com.br:443 -servername seudominio.com.br 2>/dev/null | openssl x509 -noout -subject -issuer -dates -ext subjectAltName
Se o navegador mostrar um aviso, o código do erro indica a causa. Os mais comuns no Chrome são:
- NET::ERR_CERT_DATE_INVALID: certificado vencido ou relógio do computador errado.
- NET::ERR_CERT_COMMON_NAME_INVALID: o certificado não cobre o nome acessado, como um certificado só para www aberto sem www.
- NET::ERR_CERT_AUTHORITY_INVALID: certificado autoassinado ou cadeia intermediária faltando.
Para outros erros e o passo a passo de cada correção, veja sua conexão não é segura: o que significa e como resolver.
Perguntas frequentes
É uma imagem fornecida pela certificadora para exibir no site, indicando que ele usa um certificado dela. O selo estático é só uma imagem; o dinâmico mostra, ao ser clicado, os dados conferidos pela certificadora. O selo não muda a criptografia: quem protege a conexão é o certificado.
Sim. Certificados do Let’s Encrypt e do AutoSSL usam a mesma criptografia dos pagos e são aceitos por todos os navegadores. A diferença é que são só de validação de domínio (DV) e não incluem suporte da certificadora, selo ou garantia.
Na criptografia, os três são iguais. O OV e o EV comprovam também a identidade da empresa, por isso transmitem mais confiança em sites que lidam com dinheiro ou dados sensíveis. Veja a comparação entre DV, OV e EV.
Os navegadores passam a exibir um alerta de conexão não segura e muitos visitantes desistem de entrar. Desde 15 de março de 2026 a validade máxima é de 200 dias, por isso vale automatizar a renovação ou anotar a data e reemitir com antecedência. Você pode conferir a data no verificador de SSL da SAN.
Não. Com o SNI (Server Name Indication), suportado por todos os navegadores atuais, o servidor apresenta o certificado certo para cada domínio, mesmo com vários sites no mesmo IP.