Armazenamento de dados é o conjunto de equipamentos e serviços que guardam informações digitais de forma permanente, para que possam ser lidas de novo depois: o SSD do seu notebook, o storage de rede do escritório, os discos de um servidor em data center e os serviços de nuvem. O que muda entre eles é onde os dados ficam, como são acessados e quanto custa mantê-los seguros.

Para escolher bem, você precisa responder a três perguntas: quem vai acessar esses dados, com que velocidade e o que acontece se eles sumirem. As seções abaixo mostram as opções de data storage disponíveis hoje e como cada uma responde a essas perguntas.


O que é armazenamento de dados

Todo dado digital precisa morar em algum lugar quando o computador é desligado. Esse lugar é o armazenamento: um meio físico (disco magnético, memória flash, fita) mais a camada de software que organiza onde cada pedaço de informação está gravado.

Na prática, quase tudo o que você usa no dia a dia depende disso:

  • fotos e vídeos sincronizados do celular com a nuvem;
  • planilhas, contratos e arquivos de dados da empresa numa pasta compartilhada;
  • as caixas de e-mail guardadas no servidor do provedor;
  • os arquivos e o banco de dados de um site ou loja virtual;
  • cópias de segurança feitas toda noite.
Pessoa trabalhando em notebook e tablet numa mesa de escritório, acessando arquivos da empresa

Armazenamento não é memória RAM: a RAM é rápida, mas volátil; perde tudo quando a máquina desliga. O armazenamento é persistente. E também não é a mesma coisa que um banco de dados: o banco é um software que organiza informações para consulta, e ele mesmo grava seus arquivos em algum tipo de armazenamento.


Tipos de armazenamento: DAS, NAS, SAN e nuvem

A forma mais comum de classificar os tipos de storage é pelo jeito como o disco chega até quem usa os dados: ligado direto no computador, compartilhado pela rede local, numa rede dedicada só para armazenamento ou num data center de terceiros, acessado pela internet.

TipoComo se conectaExemploBom paraLimitação
DAS (Direct Attached Storage)Direto no computador ou servidor (SATA, SAS, USB, Thunderbolt)SSD interno, HD externo, gaveta de discos ligada a um servidorUso individual, servidor único, desempenho localDifícil de compartilhar; se a máquina cai, o acesso cai junto
NAS (Network Attached Storage)Pela rede local, como um servidor de arquivos (SMB, NFS)Storage NAS com vários discos no escritórioPastas compartilhadas, arquivos de equipes pequenas e médiasDepende da rede; precisa de cuidado com permissões e atualizações
SAN (Storage Area Network)Rede dedicada (Fibre Channel ou iSCSI) que entrega volumes em bloco aos servidoresStorage corporativo que serve discos para clusters de virtualização e bancos de dadosAmbientes com muitos servidores e alta exigência de desempenhoCusto e complexidade altos; exige equipe especializada
Nuvem (cloud storage)Pela internet, via aplicativo, painel ou APIGoogle Drive, OneDrive, Amazon S3, backup em nuvemAcesso de qualquer lugar, cópia fora da empresa, crescimento sob demandaDepende da conexão; custo recorrente; atenção a onde os dados ficam

Não confunda: aqui, SAN é a sigla técnica de Storage Area Network, um tipo de infraestrutura de armazenamento. Não tem relação com a SAN Internet, empresa que mantém este blog.

A diferença prática entre NAS e SAN costuma confundir. O NAS entrega arquivos: o computador vê uma pasta de rede. A SAN entrega discos: o servidor enxerga um volume como se estivesse plugado nele e formata do jeito que quiser. Por isso a SAN aparece em ambientes de virtualização e bancos de dados grandes, e o NAS no compartilhamento de documentos.

Dois técnicos com um notebook entre racks de servidores e storage em um data center

Por trás de muitos serviços de nuvem existe ainda o armazenamento definido por software (SDS): em vez de um storage proprietário, vários servidores comuns com discos locais são unidos por software e funcionam como um grande conjunto, que cresce acrescentando máquinas. Ceph e as soluções de virtualização hiperconvergente seguem essa ideia. Para o usuário final isso fica invisível; o que ele vê é o serviço de cloud computing funcionando.


Armazenamento em bloco, arquivo e objeto

Outra forma de olhar o mesmo assunto é pelo modelo de dados, ou seja, como a informação é endereçada. Essa divisão aparece em qualquer provedor de nuvem e ajuda a entender por que um banco de dados não roda bem em cima de uma pasta de rede, e por que backups costumam ir para storage de objetos.

ModeloComo organizaAcesso típicoOnde se usa
BlocoDivide o volume em blocos de tamanho fixo, cada um com um endereço; o sistema operacional cria o sistema de arquivos por cimaDisco local, iSCSI, Fibre Channel, volumes de nuvem (ex.: Amazon EBS)Sistema operacional, máquinas virtuais, bancos de dados, tudo que faz muitas leituras e escritas pequenas
ArquivoPastas e arquivos numa hierarquia, com nomes e permissõesSMB (redes Windows), NFS (Linux), compartilhamentos de NASDocumentos de equipe, diretórios de sites, arquivos que várias pessoas abrem e editam
ObjetoCada item é um objeto com identificador único e metadados, guardado num espaço plano (“bucket”)API HTTP, geralmente compatível com Amazon S3Backups, imagens e vídeos de sites, logs, arquivos que são gravados uma vez e lidos muitas

O armazenamento de objetos escala muito bem e costuma ser o mais barato por gigabyte, mas não foi feito para alterar um pedaço de arquivo: para mudar um objeto, você grava uma nova versão inteira. Já o armazenamento em bloco tem a menor latência e é o que o software espera encontrar quando grava um banco de dados.


Mídias: HDD, SSD SATA e NVMe

Seja num notebook ou num storage de data center, no fim da linha os dados ficam gravados em uma destas mídias. A escolha pesa diretamente no tempo de resposta de um site, de um sistema de gestão ou de uma restauração de backup.

Interior de um disco rígido (HDD) aberto, com o prato magnético e o braço de leitura
MídiaComo funcionaPonto fortePonto fracoUso típico
HDDPratos magnéticos girando e um braço mecânico que lê e gravaMenor custo por terabyteAcesso aleatório lento; peças móveis desgastamArquivo, backup, grandes volumes pouco acessados
SSD SATAMemória flash, ligada pela mesma interface SATA dos HDsMuito mais rápido que HDD no acesso aleatório, sem partes móveisLimitado pelo teto da interface SATAComputadores, servidores de entrada, troca direta de um HD antigo
SSD NVMeMemória flash ligada direto ao barramento PCIe, com protocolo próprio para SSDMaior vazão e menor latência, com muitas filas de comandos em paraleloCusto por terabyte maior que SATA; exige suporte na placaBancos de dados, virtualização, sites com muito acesso

O SATA nasceu para discos mecânicos, e a memória flash dos SSDs atuais já é mais rápida do que essa interface consegue transportar. O NVMe foi criado justamente para tirar o SSD desse gargalo, conversando com o processador pelo mesmo barramento usado pelas placas de vídeo. Em servidores, a diferença aparece menos na velocidade de copiar um arquivo grande e mais no número de operações pequenas por segundo, que é o que um banco de dados faz o tempo todo. Mais detalhes no nosso post sobre SSD em servidores.


RAID e backup: o que cada um protege

Disco estraga. A pergunta não é se, mas quando. Por isso quase todo servidor usa duas camadas de proteção que muita gente trata como se fossem a mesma coisa.

O RAID combina vários discos para que o sistema continue no ar quando um deles falha. No RAID 1, por exemplo, tudo é gravado em dois discos ao mesmo tempo. Ótimo para disponibilidade, mas repare no “ao mesmo tempo”: se alguém apaga uma pasta, se um ransomware criptografa os arquivos ou se uma atualização corrompe o banco de dados, o RAID replica o estrago nos dois discos na hora.

RAID não é backup. O RAID protege contra falha de hardware. O backup protege contra perda de dados: exclusão, invasão, erro humano, incêndio. Você precisa dos dois.

Um bom roteiro de backup segue a chamada regra 3-2-1:

  1. Mantenha três cópias dos dados: a original e mais duas.
  2. Use dois tipos de mídia ou local diferentes (o servidor e um storage, por exemplo).
  3. Deixe uma cópia fora do ambiente principal, como um backup na nuvem.
  4. Guarde versões antigas, não só a última: se o problema passou dias sem ser notado, a cópia de ontem já está contaminada.
  5. Teste a restauração de tempos em tempos. Backup que nunca foi restaurado é só uma suposição.

Na SAN: o Backup em nuvem guarda cópias criptografadas do seu site na AWS, funciona com qualquer hospedagem, mantém até 30 versões e restaura em 1 clique.


Armazenamento para análise de dados

Quando o objetivo é analisar informação (vendas por região, comportamento de clientes, indicadores), o armazenamento ganha outros nomes. São camadas que ficam acima das mídias e dos tipos de storage vistos até aqui:

  • Data warehouse (armazém de dados): reúne dados já tratados de vários sistemas (ERP, loja, CRM) num formato padronizado, pronto para relatórios e consultas analíticas.
  • Data lake: guarda dados brutos em qualquer formato, normalmente em storage de objetos, para tratar depois conforme a necessidade.
  • Lakehouse: combina os dois, com dados em storage de objetos e uma camada que permite consultá-los com SQL como se fossem tabelas.

Para uma pequena empresa, o primeiro passo costuma ser bem mais simples: manter os dados dos sistemas num banco bem cuidado, com backup, e exportar o que for preciso para uma planilha ou ferramenta de BI. Data warehouse entra em cena quando os relatórios começam a cruzar muitas fontes diferentes.


Como escolher a solução de armazenamento

Não existe um tipo de armazenamento melhor que os outros; existe o que combina com o uso. Passe pelas perguntas abaixo antes de comprar um storage ou contratar um serviço:

  1. Quem acessa? Uma pessoa só, uma equipe no mesmo escritório ou gente espalhada? Isso decide entre DAS, NAS e nuvem.
  2. Que tipo de dado é? Documentos de equipe pedem armazenamento de arquivos; banco de dados e máquinas virtuais pedem bloco; backups, fotos e vídeos vão bem em objetos.
  3. Quão rápido precisa ser? Site, loja virtual e sistema de gestão ganham muito com SSD NVMe. Arquivo morto pode ficar em HDD ou num storage mais barato.
  4. Quanto vai crescer? Se você não sabe o volume do ano que vem, prefira algo que cresça sob demanda a comprar discos para cinco anos.
  5. Quem cuida? Storage local exige alguém para trocar disco, atualizar firmware e monitorar. Na nuvem, essa parte fica com o provedor.
  6. Há dados pessoais? Cadastros de clientes entram na LGPD: controle de acesso, criptografia e registro de quem consultou o quê passam a ser obrigação, não detalhe.
Pessoa usando notebook numa mesa de madeira, trabalhando remotamente com dados na nuvem

Se o que você precisa guardar são os arquivos e o banco de um site ou sistema que roda o dia inteiro, o armazenamento vem junto com o servidor. Num Cloud Server, por exemplo, os dados ficam em SSD e você dimensiona espaço e recursos conforme o projeto, sem manter hardware no escritório. Para documentos de equipe, uma pasta na nuvem ou um NAS resolve; para a cópia de segurança de tudo isso, um serviço de backup fora do ambiente principal.


Perguntas frequentes

O que é armazenamento de dados?

É o conjunto de equipamentos e serviços que guardam informações digitais de forma permanente, como SSDs, HDs, storages de rede e serviços de nuvem. Diferente da memória RAM, o armazenamento mantém os dados mesmo com o equipamento desligado.

Quais são os principais tipos de armazenamento de dados?

Pela forma de conexão, os tipos são DAS (ligado direto ao computador), NAS (compartilhado pela rede local), SAN (rede dedicada de storage, Storage Area Network) e armazenamento em nuvem. Pelo modelo de dados, a divisão é entre armazenamento em bloco, em arquivo e em objeto.

Qual a diferença entre NAS e SAN?

O NAS entrega arquivos e pastas pela rede, como um servidor de arquivos. A SAN entrega volumes em bloco aos servidores, que os enxergam como discos locais; por isso é usada em virtualização e bancos de dados grandes.

SSD NVMe é melhor que SSD SATA?

Em desempenho, sim: o NVMe se liga direto ao barramento PCIe e não fica preso ao limite da interface SATA. Para servidores de sites e bancos de dados, a diferença aparece principalmente no volume de operações pequenas por segundo.

RAID substitui o backup?

Não. O RAID mantém o sistema funcionando quando um disco falha, mas replica na hora exclusões, corrupção e ataques. O backup guarda cópias e versões separadas, de preferência fora do servidor, como um backup em nuvem.